Estava há dias a almoçar calmamente quando dei por mim a ouvir, na RTP/A, a Dr.ª Berta Cabral dizer que Anibal Cavaco Silva era um grande "amigo dos Açores"! Continuei a almoçar, mas centrei a minha atenção no enorme esforço, em vão feito por Berta, para demonstrar a afirmação feita.
Ajuda, Ajuda, Ajuda! Para onde quer que os meus pavilhões auditivos se virem, só consigo ouvir esta palavra. Portugal poderá ver-se obrigado a solicitar "Ajuda" ao FMI, dizem uns. Portugal não necessita da "Ajuda" do FMI, dizem outros. O FMI (o "Fominhas" como ficou conhecido em 1984, porque a "Ajuda" que trazia era a fome para muitos) vem para avalizar créditos externos, "mas só o fará à custa de rigorosas medidas de austeridade", dizia-se na altura. E quem negociou essa "Ajuda" (e as medidas de austeridade, está claro) do "Fominhas" em 1984? Um Governo PS/PSD! Precisamente um governo dos mesmos dois partidos que, em consequência directa das suas políticas governativas, pelas quais só têm repartido responsabilidades de quando em vez com o CDS durante todos estes anos, hoje voltam a estar irmanados na aplicação, mesmo antes de ensaiarem ou não outras tantas e garantidas medidas adicionais a pretexto da "Ajuda" externa, de violentas e repetidas medidas de austeridade sobre a esmagadora maioria dos portugueses, já em 2010, e na promulgação de outras, mais violentas ainda, para 2011!
2010 caracterizou-se por nos deixar recheado de mentiras, como opinava na passada semana. Que 2011 seja melhor, é essa a esperança de muitos, transmitida de boca em boca entre amigos, conhecidos, vizinhos ou colegas, aos primeiros dias de Janeiro.
Pois aí está quem logo nestes mesmos dias se encarrega de baldear água fria a jorros sobre tão inocentes, quão descabidas, expectativas.
No quadro da divisão e da estruturação do tempo que o calendário estabelece, já estamos no ano 2011.
Naturalmente passámos para o Ano Novo trazendo connosco todos os sentimentos, problemas, desilusões, esperanças e perspectivas que tínhamos no ano velho. Também vieram connosco as muitas apreensões, preocupações e razões de queixa que se foram aprofundando ao longo desse 2010 que não deixa saudades.
Após um brusco e premeditado descontrolo do défice para banquetear a alta finança à custa dos orçamentos do estado, no início deste ano a União Europeia anunciava por finda a recessão económica. Durante os meses seguintes, na tentativa de retomar o controlo do défice, assistiu-se em simultâneo ao espezinhar de direitos sociais e ao desaire económico da UE. Para 2011 as vozes dissonantes prevêem-se ser mais que as nozes e, de acordo com o Presidente da Comissão Europeia – Durão Barroso, em lugar de propostas de saída para o futuro comunitário, é a restauração da alma do negócio aquilo que agora se impõe, ou seja…o silêncio e o segredo!