Foram divulgados há alguns dias dados do Banco de
Portugal segundo os quais os depósitos bancários feitos nos Açores, no
1º semestre deste ano, aumentaram e atingiram os 25 milhões de euros. Os
mesmos dados indicam que a concessão de crédito, no memo período, foi
muito inferior a esse valor. Se juntarmos as dezenas de milhões euros
que os bancos cobraram na Região, respeitantes a contratos em curso,
nesse mesmo 1º semestre, vamos concluir que a economia regional está a
ser dramaticamente esvaziada de meios financeiros.
Opinião
Governar por cortes e a decretar impostos, não tem qualquer engenho ou arte política. Não custa nada, a não ser os ordenados e as alcavalas que usufrui quem assim (dispensavelmente) governa. É fácil, é barato e dá milhões…
Cortar em 8 meses nas transferências sociais do Estado, isto é, na educação, saúde e segurança social, mais de mil e novecentos milhões de euros e cortar cerca de 10% nas remunerações da função pública, poderá chamar-se a isto: “eliminar as gorduras do Estado”? Aumentar em 900 milhões os impostos deste ano, à custa do IVA sobre o gás e a electricidade e à custa dos cortes no subsídio de Natal; cobrar outros tantos milhões pela incidência do IVA sobre bens de 1ª necessidade; pelas restrições às isenções de IRS na saúde e educação e pelo aumento do IMI, isto é coragem política para combater o défice? Reduzir pagamentos de feriados e horas extra, cortar nos subsídios de desemprego e indemnizações por despedimento sem justa causa, isto é incentivar a actividade produtiva?
O recente anúncio do
Ministro-adjunto, segundo o qual a RTP/A passará a ter um tempo
diminuído de antena, situado entre as 19H00 e as 23H00, levantou um
amplo debate, do qual sobressaem três questões centrais: a existência,
ou não, de um serviço publico regional de televisão e rádio; a qualidade
actual do serviço prestado pela RTP/Açores; as verdadeiras contas do
funcionamento actual da RTP/A (televisão e rádio).
Em primeiro lugar quero afirmar que sou um defensor intransigente da existência, em horário pleno, de um serviço público regional de televisão e rádio e não quero deixar de dizer que considero que a RTP/A e a RDP/A têm dado um contributo muito importante à construção da ideia de Região, pesem embora todas as suas limitações e todas as práticas de manipulação efectivamente exercidas pelos poderes sobre essas estações.
Deixando no Terreiro do Paço, apadrinhados por si, uma ditadura de
mercados e um governo (de “canalhas”, como foi classificado por Samuel,
um cançonetista e um pensador português da actualidade) com ordem para
escavacar tudo o que é Estado (incluindo as Autonomias Constitucionais)
sem deixar nada no lugar daquilo que existia, em nome de uma abençoada e
impagável dívida, veio candidamente de visita às ilhas mais pequenas
dos Açores o Sr. Presidente da República, segundo ele para “dar uma
ajuda ao reforço da coesão nacional”.
Já todos reparámos que a crise financeira existente está a começar a ser esgrimida como instrumento de políticas de redução da Autonomia política e administrativa dos Açores e da Madeira. Não admira que assim seja, pois essa mesma crise é usada contra os direitos de quem trabalha, contra todas as conquistas sociais que foram construídas ao longo do tempo e contra todos os avanços civilizacionais alcançados.A crise financeira actual, resultante de decénios de políticas deliberadamente erradas, é, no fundo, o meio de procurar impor recuos em tudo o que representa progresso e evolução positiva, em direcção a uma sociedade mais justa. Sabendo que me acusarão de usar chavões, não posso deixar de dizer, com todo o rigor, que a crise financeira actual mais não é do que o maior ataque de sempre que o grande capital financeiro internacional está a fazer aos Povos do Mundo.
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