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Opinião

2011-12-26 15:00

O fim e o começo

José Decq MotaDentro de poucos dias termina o ano de 2011 e inicia-se aquele que se segue nesta marcha infinita que é o tempo. Termina um ano a muitos títulos mau, numa época em que domina quem quer acentuar desmedidamente a exploração dos seus semelhantes. Termina um ano de ataque feroz aos direitos de quem trabalha e de quem vive de rendimentos do trabalho, por conta de outrem ou por conta própria. Termina um ano em que, em Portugal e na Europa, foram dados passos terríveis no sentido de tentar anular muitos aspectos das transformações sociais positivas que foram construídas no século XX.

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2011-12-22 20:42

Natal 2011

Mário AbrantesCom a adesão ao euro em 2001, Portugal, enquanto Nação, cedeu na sua soberania monetária, ficando impedido de mexer por sua própria vontade nos câmbios e juros com vista a modular e orientar a criação de riqueza, as exportações e a dinâmica do seu mercado interno.
Com o memorando de entendimento com a troika, estabelecido pelo anterior governo e subscrito pelo actual, Portugal cedeu na sua soberania orçamental, ficando manietado por tectos sucessivamente mais restritivos do défice público que impedem o País de promover o investimento e o emprego, bloqueando assim decisivamente o que lhe resta da capacidade produtiva instalada.
Pela evolução do actual enquadramento europeu, que, mesmo antes de estar definido, já recolhe a adesão marionética, passiva e antecipada do Primeiro-ministro com bandeira portuguesa à lapela, tudo aponta para que, mesmo sobre o seu tesouro público, Portugal poderá vir a perder o efectivo controlo.

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2011-12-21 15:41

Boas Festas

José Decq MotaNo quadro da cultura em que, como Povo, nos inserimos, esta época do ano é de Festa e nela se comemora o nascimento de Jesus Cristo.
Independentemente do significado mais forte que se queira dar a Cristo – Deus feito Homem ou Homem bom e transformador – o certo é que há mais de dois mil anos se deram acontecimentos que proclamaram valores articulados uns com os outros, valores esses que tinham como sentido principal a valorização do ser humano. A partir desses valores nasceu uma nova Religião, mas, mais do que isso, estruturou-se uma Cultura marcante na evolução da Humanidade. Comemora-se assim no Natal a fundação do Cristianismo e da Cultura Cristã.

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2011-12-18 17:56

Ajuste de contas na saúde

Mário AbrantesA Declaração Universal dos Direitos do Homem, cujo 63º Aniversário foi celebrado no passado dia 10, proclama no seu Artº XXV, nº 1: “Toda a pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde e bem-estar, inclusive … cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de … doença ou invalidez...”

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2011-12-07 20:37

3 x 3

3 x 3
Por não nos termos ainda apercebido plenamente do sentido das coisas, resvalamos rapidamente para um preocupante cenário político de autoritarismo autista e amoral cujo livre desenrolar conduzirá inevitavelmente à criação de condições para uma dolorosa rotura social no país. E digo dolorosa porque incapaz de ser assimilada e resolvida pelas instituições democráticas vigentes.
Premonitório de uma tal situação, foi o ensaio experimental a que todo o país assistiu, no Congresso da ANAFRE, onde se viu um ministro (Miguel Relvas) fazendo-se surdo à manifestação generalizada dos autarcas contra a reforma da administração local que o seu governo pretende levar por diante, mas insistindo em usar a palavra “diálogo” (sem sentido algum, face aos protestos) para dizer que a reforma…teria de ser aplicada de qualquer modo!
Num país já antes golpeado em profundidade pelo governo socialista de Sócrates, nos meses que se seguiram à tomada de posse do novo governo de Passos Coelho e Paulo Portas, de positivo foi apenas possível registar 3 acontecimentos: a elevação do Fado a património imaterial da humanidade, o apuramento da selecção para o Campeonato Europeu de Futebol e o afortunado salvamento dos pescadores náufragos de Caxinas.
De resto, a mentira sistemática consolidou-se, a incompetência e subserviência políticas passaram a atitude patriótica, a pobreza virou honra, o aumento do desemprego e das falências, normalidade, a caridade transformou-se em função social do Estado, a emigração para o Brasil foi retomada, e a desigualdade social atingiu o topo de entre os países da OCDE…Em tão pouco tempo, é difícil fazer mais!
Que o Fado nos honra, sem dúvida. Mas o fado do choradinho é outra coisa, e este até já o canta a ministra italiana do trabalho que, de desgostosa, não conseguiu reter as lágrimas na hora que o destino lhe marcou para anunciar aumentos à idade da reforma. Bom, agora já não dizem que o destino está traçado, chamam-lhe antes inevitabilidades, e não se faz outra coisa em Portugal, de há uns meses a esta parte, que não seja, tal como a governante italiana, lamentar e verter lágrimas de crocodilo por se ter de forçar os governados a tantos sacrifícios, a tanta pobreza, e até de novo à emigração…
Que o Futebol é um desporto de massas e empolga multidões, está à vista. Mas o futebol que aliena as pessoas dos seus reais problemas, quando estes se agravam, constitui uma arma política sempre disponível e, diga-se de passagem, nada desprezível…
Que a boa sorte sorriu aos pescadores de Caxinas, é um facto. Mas que, eivada de obscurantismo, a exploração religiosa dum milagre de Natal se insinuou por detrás do acontecimento, artificialmente ampliada pela comunicação social, isso não escapou aos mais atentos…
Portanto, até mesmo nos 3 acontecimentos positivos que foi possível registar em Portugal durante os meses que nos separam da tomada de posse do governo de Passos Coelho e Paulo Portas, se torna difícil não descortinar, pelo caminho que se está trilhando, pontos de contacto inquietantes com a política dos 3 FFF (Fado, Futebol e Fátima) uma das expressões da natureza do regime salazarista.
Só que os tempos são outros, e Salazar já era. O autoritarismo autista e amoral quanto menos tempo durar, menos dolorosas consequências terá, mas seguramente não será, à semelhança do anterior, sustentável em Portugal por tempo indeterminado, ainda que não “orgulhosamente só”, como em outros tempos, mas antes orgulhosamente acompanhado da cumplicidade de uma Merkel, de um Sarkosy ou de uma troika por ambos mandatada..
Artigo de opinião de Mário Abrantes, publicado em 7 de dezembro de 2011
Mário AbrantesPor não nos termos ainda apercebido plenamente do sentido das coisas, resvalamos rapidamente para um preocupante cenário político de autoritarismo autista e amoral cujo livre desenrolar conduzirá inevitavelmente à criação de condições para uma dolorosa rotura social no país. E digo dolorosa porque incapaz de ser assimilada e resolvida pelas instituições democráticas vigentes.
Premonitório de uma tal situação, foi o ensaio experimental a que todo o país assistiu, no Congresso da ANAFRE, onde se viu um ministro (Miguel Relvas) fazendo-se surdo à manifestação generalizada dos autarcas contra a reforma da administração local que o seu governo pretende levar por diante, mas insistindo em usar a palavra “diálogo” (sem sentido algum, face aos protestos) para dizer que a reforma…teria de ser aplicada de qualquer modo!

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