Dentro de poucos dias termina o ano de 2011 e inicia-se aquele que se segue nesta marcha infinita que é o tempo. Termina um ano a muitos títulos mau, numa época em que domina quem quer acentuar desmedidamente a exploração dos seus semelhantes. Termina um ano de ataque feroz aos direitos de quem trabalha e de quem vive de rendimentos do trabalho, por conta de outrem ou por conta própria. Termina um ano em que, em Portugal e na Europa, foram dados passos terríveis no sentido de tentar anular muitos aspectos das transformações sociais positivas que foram construídas no século XX.
Opinião
Com a adesão ao euro em 2001, Portugal, enquanto Nação, cedeu na sua soberania monetária, ficando impedido de mexer por sua própria vontade nos câmbios e juros com vista a modular e orientar a criação de riqueza, as exportações e a dinâmica do seu mercado interno.Com o memorando de entendimento com a troika, estabelecido pelo anterior governo e subscrito pelo actual, Portugal cedeu na sua soberania orçamental, ficando manietado por tectos sucessivamente mais restritivos do défice público que impedem o País de promover o investimento e o emprego, bloqueando assim decisivamente o que lhe resta da capacidade produtiva instalada.
No quadro da cultura em que, como Povo, nos inserimos, esta época do ano é de Festa e nela se comemora o nascimento de Jesus Cristo.
Independentemente do significado mais forte que se queira dar a Cristo – Deus feito Homem ou Homem bom e transformador – o certo é que há mais de dois mil anos se deram acontecimentos que proclamaram valores articulados uns com os outros, valores esses que tinham como sentido principal a valorização do ser humano. A partir desses valores nasceu uma nova Religião, mas, mais do que isso, estruturou-se uma Cultura marcante na evolução da Humanidade. Comemora-se assim no Natal a fundação do Cristianismo e da Cultura Cristã.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem, cujo 63º Aniversário foi celebrado no passado dia 10, proclama no seu Artº XXV, nº 1: “Toda a pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde e bem-estar, inclusive … cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de … doença ou invalidez...”
Por não nos termos ainda apercebido plenamente do sentido das coisas, resvalamos rapidamente para um preocupante cenário político de autoritarismo autista e amoral cujo livre desenrolar conduzirá inevitavelmente à criação de condições para uma dolorosa rotura social no país. E digo dolorosa porque incapaz de ser assimilada e resolvida pelas instituições democráticas vigentes.Mais artigos...
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