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Opinião

2012-03-21 15:11

Observar e concluir

José Decq MotaA crise já chegou ao Açores de modo muito forte. Basta ver a evolução terrivelmente negativa da taxa de desemprego, o enfraquecimento generalizado de muitas actividades económicas, a retracção do investimento público regional e municipal, o agravamento acentuado de problemas sociais, para se concluir que a generalidade dos açorianos já estão a pagar fortemente o preço desta política deliberadamente recessiva, imposta pelos homens de mão do neoliberalismo, que dominam Portugal e a Europa.

Não obstante isso parece notar-se, na relação do governo da Republica com a Região Autónoma dos Açores, uma certa intenção de aguardar a realização, em Outubro próximo, das eleições regionais, para, só depois delas, tomar medidas já anunciadas e até já tomadas no que respeita à Madeira.
César, estridentemente, defende que a aparente “bonomia” do governo de Coelho e Gaspar para com os Açores, se deve ao facto “do governo dos Açores ser bom e o da Madeira não prestar”, mas sabe, tão bem quanto eu, que esses adiamentos de medidas fiscais desastrosas e da concretização da destruição total do serviço publico regional de televisão, se devem, exclusivamente, à intenção de facilitar, nas próximas eleições, o acesso do PSD/Açores ao poder regional.
Cesar, Berta e todos os outros líderes políticos regionais, em vez de estarem obcecados pela luta por um poder regional cada vez mais vazio e esvaziado, deviam antes concentrar os seus esforços em dois pontos concretos: a defesa do sistema constitucional da Autonomia, todos os dias posto em causa e a recusa, muito firme, de que venham a existir, antes ou depois de Outubro, medidas de agravamento fiscal, que seriam mesmo desastrosas, face ao quadro pesadíssimo que hoje já existe.
Só agindo assim se defende os Açores. O resto é conversa!

Artigo de opinião de José Decq Mota, publicado em 21 de março de 2012

2012-03-14 16:54

A minha campanha

Mário AbrantesPorque gastava muito dinheiro inutilmente, o executor-mor do reino português da troika decretou peremptório, há uns meses atrás, que a RTP- Açores passaria sem remissão a “janela” de 4 horas…
Porque será que o (constatável) aparente adiamento de tal decisão me sussurra aos ouvidos a hipótese de um entendimento tácito entre PS e PSD para que os seus candidatos regionais disponham livremente de todo o tempo de antena desejado (que já consomem e pretendem continuar a consumir) até às regionais de Outubro? É que se a RTP/Açores não passou a janela de 4 horas, em contrapartida o telejornal regional passou fundamentalmente a arrastar-se de forma acrítica e por tempo indeterminado atrás de duas almas que pouco mais fazem do que repetir dia após dia generalidades e chavões eleitoralistas…

E de seguida, em abonatória complacência, logo surgem as vozes de comentadores ciosos afirmando que o inegável aproveitamento das funções oficiais por parte dos (chamados) candidatos à presidência “não é nada que não aconteça ao longo dos tempos e em todas as democracias”…
Tal como a existência de alguns muito ricos e de muitos pobres sempre há-de continuar, apesar da injustiça, assim também a democracia sempre se haverá de compor com aproveitadores das suas funções, apesar de isso ser feito à custa do erário público, não é verdade? Mesmo quando estes aproveitadores em campanha a tempo inteiro proclamam mais alto do que todos, abençoados pela troika e sem vergonha nenhuma, que há políticos a tempo inteiro a mais, que não há alternativa para a austeridade, que é necessário reduzir despesas e que todos temos andado a viver acima das nossas possibilidades…
Bem diz Papandreu que aquilo que afundou a Grécia e a aproximou da bancarrota, que foi decretar e executar a austeridade à custa do crescimento económico e financiar os bancos, é o caminho que está a ser repetido por Portugal. O país afunda-se em recessão e desemprego, com efeito ampliado nos Açores, e o PS diz aos portugueses que a culpa é do Governo da República, enquanto o PSD diz aos açorianos que a culpa é do Governo Regional. Nenhum dos dois partidos portanto, por mais que apele à mudança, enquanto oposição, tem capacidade de fazer diferente, estando no poder, ademais porque as opções fundamentais de ambos se vinculam prioritariamente aos compromissos com a troika, muito antes dos compromissos com os portugueses ou com os açorianos.
A solução a meu ver é não votar em nenhum, mas uma campanha que se antevê ilegitimamente prolongada e muito centrada nos dois, certamente alguns votos lhes há-de trazer e, elegendo um ou outro a maioria dos deputados, ganhará sempre a troika e a política que tem vindo a afundar o país, arrastando duplamente os Açores.
Por isso a abstenção, como opção alternativa, também pouco interferirá na indesejável continuidade do actual cenário regressivo, opressivo, anti-autonomista e sem saída a que o PS e o PSD, acolitados pelo CDS, nos remeteram.
Nesta conjuntura, por mais voltas que se dêem (e promessas que se fassam…), só a opção pela eleição de deputados descomprometidos com o pacto troikista e comprometidos sobretudo com a autonomia e os interesses de quem trabalha e produz, possibilitará, em minha opinião, retomar a esperança e reforçar a luta por dias melhores para os Açores e para os açorianos.

Artigo de opinião de Mário Abrantes, publicado em 14 de março de 2012

2012-03-13 08:08

Práticas políticas menores e perversas

José Decq MotaO acontecimento político mais comentado, analisado, referido, avaliado e difundido da passada semana foi o facto do Presidente da República ter, no prefácio de um livro de discursos, desancado o anterior 1º Ministro, acusando-o, de entre outras coisas, de “falta de lealdade institucional”.
Apareceram logo, às dezenas, os “ofendidos” e os “defensores”, uns acusando o Presidente de praticar um ajuste de contas, outros achando muito bem que o Presidente “diga a verdade”. Entretanto, todos eles omitiram o essencial, que é saber qual era na altura a posição do Presidente sobre o que constava no malfadado PEC IV, aparente pomo da discórdia, mas cujas medidas foram sendo todas sancionadas e assinadas pelo Presidente.

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2012-03-08 21:02

Estes dias negros

José Decq MotaQuem faz comentário político corre hoje o risco de, perante tantas dificuldades, ficar “sem assunto novo para comentar” dado o facto de estarem sempre e sempre presentes uma enorme quantidade de medidas negativas, impostas de fora e aplicadas, com gosto, por quem, cá dentro, tomou a opção de ser servil a quem impõe.
Pessoalmente ultrapasso bem esta “dificuldade” de “falta de assunto novo”: Não me cansarei de repetir, até a exaustão, a denúncia desta enorme tentativa de eliminar toda a evolução progressista, conseguida no século XX, e que alterou, para melhor, os direitos e garantias, a distribuição da riqueza criada, a qualidade de vida da generalidade das populações.

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2012-03-08 20:43

Sadismo administrativo

Mário AbrantesNa versão idiossincrática e impositiva dum ministro executor da troika, denominado Marquês de Relvas, à martelada ou à marretada, como quiserem (isto é sem ligar patavina ao que pensam os interessados), foi aprovada na generalidade pelo PSD e pelo CDS na A. da República, contra a opinião de todos os outros, a lei da extinção de freguesias a que o governo de Passos Coelho decidiu sem vergonha chamar de “reforma da administração local”.

Vai passar-se agora à discussão na especialidade (artigo a artigo) e só depois à votação final global. E uma certeza desde já existe: Até lá (e mesmo depois da lei aprovada ou não), vai correr muito mais tinta que aquela que o sádico Marquês, experimentalista em sangramentos sociais, imaginaria...

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  3. Desemprego

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